CHANGA - Guia prático



Fonte: Guide to DMT Enhanced Leaf  / DMT - Guia de bolso

Traduzido e adaptado: Equipe DMT Brasil
__________________________________________

Quando infuso com algumas ervas em particular, o DMT invoca uma experiência quase completamente diferente. Profundamente carregada eletricamente, cores e sensações atravessam você como uma faca quente na manteiga. As ervas trazem mais para a experiência do que você consegue imaginar possível. É tão simples de romper as barreiras, tão simples de usar e simplesmente incrível! Resumindo, qualquer pessoa que se considere um entusiasta do DMT precisa experimentar esse método pelo menos uma vez; com toda a honestidade que é a única maneira de voar. 

Algumas sugestões de ervas possíveis:

Ipê / Pau d'arco (Tabebuia sp.): ricas e exuberantes paisagens prazerosas
Lótus azul/branca/rosa (Nymphaea caerulae): um caráter luminoso e distintamente agradável
Erva-dos-sonhos (Calea zacatechichi): a erva dos sonhos é perfeita para uma sinergia
Flor de maracujá (Passiflora sp.): contém IMAO que potencializa e prolonga da experiência
Cipó Mariri (Banisteriopsis caapi): adiciona uma qualidade espiritual e potencializa e prolonga a experiência
Damiana (Turnera diffusa): sabor e vibração únicos
Flores de trombeta (Brugmansia sp.): caráter distinto de outro mundo
Raiz africana dos sonhos (Silene capensis): aumentar a lucidez as visões
Hortelã-pimenta / Hortelã-do-campo (Mentha piperita / Mentha arvensis): adiciona qualidades refrescantes e calmantes
Mullein (Verbascum thapsus): cura respiratória e propriedades calmantes
Sinicuichi (Heimia salicifolia): aumenta as alucinações auditivas
Chambá (Justicia pectoralis): sabor suave e cheiro agradável
Sálvia (Salvia divinorum): atua como uma abridora e uma facilitadora
Chaliponga (Diplopterys cabrerana): adiciona uma qualidade espiritual e mais magia
Mugwort (Artemisia sp.): sinergia sonhadora e poderes místicos
Indian Warrior (Pedicularis densiflora): efeitos psicoativos sedativos
Skullcap (Scutellaria lateriflora): fortalecedora, calmante e sedativa do sistema nervoso
Lion's tail (Leonotis leonurus): erva eufórica


Miscelâneas:

Calêndula (Calendula officinalis)
Pituri (Duboisia hopwoodii)
Lavanda (Lavandula angustifolia / Lavandula dentata) 

Salvia Branca (Salvia apiana)


Aditivos:

5-MeO-DMT
Extrato de Harmala
Bufotenina


Blends:

Ayahuasca Android: 70% Caapi + 30% Chaliponga
Dream Scape: 60% Erva-dos-sonhos + 40% Flores de Trombeta
Electric Sheep: 50% Lótus-azul + 50% Erva-dos-sonhos
Minty Blast: 40% Caapi + 35% Hortelã + 25% Mullein
The Mekong: 50% Flor de Maracujá + 50% Lótus-azul
Twisted Fruit: 50% Caapi + 20% Salvia + 30% Mugwort (+ opcional de Bufotenina)


Tradicionalmente, o Changa é uma mistura, um blend de ervas em combinação com alguma planta que contenha IMAO, tipicamente o cipó Banisteriopsis Caapi. No entanto, você não precisa procurar quais ervas vão se misturar melhor ou se preocupar com as proporções entre elas. Para começar, simplesmente pegue uma das ervas da lista acima e use-a como o único ingrediente para preparar o Changa, isso vai lhe dar a certeza e uma maior compreensão dos efeitos de cada folha e é o meu método preferido. Posteriormente você vai querer experimentar e então poderá misturar e combinar as ervas que você gostou mais ou testar algum dos blends sugeridos.

Uma coisa importante a se lembrar quando for fumar o Changa é certificar-se de que vai puxar devagar para ele queimar realmente bem, a idéia central aqui é o calor que por sua vez irá liberar todo o DMT - segurando como de costume por aproximadamente 10-20 segundos. Se você fumar muito rápido não irá vaporizar todo o DMT, praticamente jogando fora seu trabalho duro, então faça valer a pena! Sem dúvida as minhas experiências mais fortes foram quando eu puxei a fumaça num ritmo de caracol, queimando cada pedacinho em potencial da folha. Ainda que isso seja em referência ao bong, também deve ser assumido quando for usar um cachimbo, no entanto, eu sinto que o bong é o único meio eficaz para uma experiência completa. Dependendo do tamanho, é claro, o bong aumenta muito a quantidade de fumaça que você consegue inalar de uma só vez, o que é importante, e torna a fumaça consideravelmente mais suave uma vez que é esfriada e reabastecida pela água.

Eu tenho achado que meia-dose para começar seguida de uma dose-cheia, após o pico dos efeitos, faz a dose-cheia ser muito mais fácil, rápida e melhor pois permite que a adrenalina e a aceleração inicial atribuída a meia-dose diminui antes de ir além, criando uma atmosfera mais relaxante e receptiva - para os usuários de primeira viagem também é bom para calcular e prever a potência da dose-cheia. Essencialmente, você já decolou da plataforma de lançamento mas na velocidade de cruzeiro, por isso, quando o turbo for ligado na potência máxima não é tanto como uma sacudida forte, é mais suave e nítido. Isso tornou-se habitual para mim uma vez que permite a experiência posterior de ser mais gratificante e minimiza em muito as chances de ser "muito em pouco tempo",  o que pode se tornar avassalador se não estiver preparado. No entanto, após a aceleração completa inicial ter ocorrido, eu ainda tenho que encontrar esse ponto do "muito em pouco tempo" e duvido que isso seja mesmo possível, enquanto existente na realidade do Changa.

Na minha experiência, a hora do dia e a iluminação tem desempenhado um papel central nos efeitos das diferentes ervas. Em grandes doses com folhas contendo IMAO não importa muito se é de dia ou de noite porque a potência imposta sobre você te rompe completamente da existência. Mas quando experimentando com as outras ervas, especificamente o Ipê, eu tenho achado a noite com uma iluminação bem fraca, escura, ambiente funcionando melhor. Por alguma razão a experiência só é ativada corretamente quando está escuro, se é feito durante o dia efeitos completamente diferentes são experimentados, tudo em referência aos olhos abertos. Ainda é agradável e diferente no seu sentido particular, especialmente se feito em lugar descoberto num dia ensolarado, mas para uma experiência completa é necessário um ambiente escuro. Normalmente ter uma luz indireta num quarto perto ou no corredor próximo ao lugar onde se está funciona bem. Caso contrário, com todas as luzes apagadas e apenas as velas acesas funciona com muito encanto!

Eu tenho achado o uso do bong como tendo um efeito substancial na experiência. Bongs muito grandes tendem a diluir muito a fumaça, mas geralmente são muito fáceis para usuários inexperientes. Um bong pequeno, de aproximadamente 10cm de altura, por sua vez lhe dará uma experiência muito forte e direta. A fumaça vai direto do cone do bong para seus pulmões com muito pouco ar para diluí-la, mas não é uma técnica definitiva para o sucesso e você vai precisar de pulmões largos para digeri-la - antes mesmo de meio cone você já tem uma boa quantidade de fumaça nos pulmões e até terminar tudo, as vezes sequer sem conseguir, você já não tem a menor idéia sobre qualquer coisa. A maioria das minhas experiências mais fortes foram usando um bong de altura pequena e eu percebi que há uma diferença nítida entre um bong grande e um pequeno.

Parte da razão pela qual o Changa é tão bom é devido ao fato de que é tão fácil de usar, o que significa que você não precisa estar completamente sóbrio para encher a próxima dose, mexendo com o cristal e etc. Não só isso, mas de alguma maneira usos sucessivos se tornam melhores e melhores sem desenvolvimento de tolerância (após 10 usos sucessivos diferenças sutis começam a aparecer), mesmo esperando pouco tempo como 5 minutos entre os usos. Ele apenas continua mais e mais enérgico, fazendo expedições extremamente longas. O Changa também se parece com as folhas naturais e você pode guardá-lo nas embalagens originais das ervas tornando-o extremamente anônimo e discreto, em comparação com carregar o cristal puro. O cheiro, o sabor e a sensação de fumar o Changa é uma experiência realmente agradável, você sente cada partícula de fumaça passar através da sua garganta preenchendo seus pulmões com um aroma atômico dourado aveludado - seu rosto se ilumina apenas com esse sentimento, quando a fumaça começa a fazer efeito.


Finalmente, quando estiver preparando o Changa uma coisa importante a se lembrar é de deixar a erva secar completamente antes de prová-la pois fumar acetona pode fazer você se sentir dolorosamente doente após poucos usos. Se você é impaciente como eu e não consegue esperar um dia extra ou dois antes da mistura ficar completamente seca, simplesmente queime a dose com um isqueiro no bong ou pipe antes de fumar e depois tire, se continuar queimando significa que ainda há acetona, apenas deixe terminar de queimar e deverá estar bom para decolar. Por último, se deseja utilizar o extrato de Harmala tenha certeza que é um produto muito puro. 


AVISO: utilizar Harmalas com ISRS's recreacionais/farmacêuticos ou estimulantes pode ser potencialmente perigoso.

Se você ainda não experienciou a beleza imponente, impressionante e brilhantemente mágica do Changa eu sugiro fortemente que você o faça.

Para aqueles que estão interessados em como fazer o Changa a receita a seguir foi retirada do DMT - Guia de bolso.


______________________________________

PREPARAÇÃO DO CHANGA

(PASSO 1) Há duas coisas a se considerar: a erva utilizada para a mistura (ver acima) e a potência da mistura. A proporção de DMT/Erva pode ter um impacto significativo na experiência. Primeiramente, a potência da folha implica a quantidade necessária a ser fumada para alcançar os efeitos completos. Fazer uma mistura muito fraca é indesejável pois você precisará fumar uma quantidade muito grande para chegar lá. Fazer uma mistura muito forte é bom para os experientes, mas difícil de dosar para os inexperientes. Além disso, quanto menos DMT tiver na mistura, a grande quantidade de erva que terá que ser fumada vai influenciar ainda mais na experiência. Algumas vezes isso é exatamente o que é desejado, algumas vezes não. Independente disso, uma experimentação cuidadosa é necessária para se achar o ponto agradável da mistura. 
Eu tenho achado a proporção 1:1 de DMT/Erva sendo muito forte para a maioria das pessoas e somente uma pequena quantidade é necessária para se decolar completamente (em relação a uma dose-cheia). 
Uma proporção 2:3 (2 partes de DMT puro / 3 partes de erva - pouco mais fraco do que 1:1) permite um pouco mais de perdão se se colocar uma dose-cheia, e permite que a erva tenha mais influência na experiência do que a proporção 1:1. 

Esta fórmula simples é utilizada para se determinar a quantidade de erva necessária para a proporção desejada: 

Q(erva) = Q(DMT) x P(erva) / P(DMT)

Onde: 
Q(erva) é a quantidade de erva ser utilizada.
Q(DMT) é a quantidade de DMT a ser utilizada.
P(erva) são as partes da erva a ser utilizada (na proporção)
P(DMT) são as partes de DMT a ser utilizada (na proporção)

Exemplo: vamos utilizar 5 gramas de DMT para fazer um Changa de proporção 2:3 (DMT/Erva)

Q(erva) = 5 x 3/2 = 7,5   -   Ou seja, é necessário utilizar 7,5g de folhas para se alcançar a proporção desejada.  



(PASSO 2) Pese a quantidade de folhas que você quer misturar com o DMT na proporção desejada, use a fórmula acima.

(PASSO 3) Utilizando a folha em pedaços pequenos, consistente com o fato de que vai ser fumada depois, torna a vida mais fácil. A foto é uma mistura de 4g de erva-dos-sonhos (Calea zacatechichi) + 3,5g de flores de trombeta (Brugmansia sanguinea).











(PASSO 4) Pese a quantidade de DMT necessária para misturar na proporção desejada.















(PASSO 5) Dissolva totalmente o DMT puro em
um dos solventes a seguir:

  • 100% Álcool Etílico
  • Acetona
  • Álcool Isopropílico
Utilize 40ml de solvente por grama de DMT.

Você vai precisar utilizar uma vasilha que permita que sua mistura fique de 5-10mm de altura.



(PASSO 6) Adicione as folhas à mistura do solvente com DMT e mexa como um redemoinho para que toda a folha se espalhe uniformemente pela vasilha.

Se precisar, adicione um pouco mais de solvente para que a mistura fique totalmente coberta.

Coloque a vasilha em um lugar que ela irá permanecer imperturbável por vários dias.

Neste exemplo, levou 4 dias para a Acetona evaporar totalmente e o Changa secar.


(PASSO 7)

Uma vez seco, o Changa pode ser pesado. Ele deve ser mais pesado devido a quantidade de DMT que foi adicionado à folha.









Bem, agora que você possui um bom Changa você pode ir mostrar aos seus amigos e familiares quão ocupado você esteve.

DMT é uma substância mágica e maravilhosa que todos deveriam saber sobre ela. 

Espero que em breve você vai perceber as mesmas coisas que eu.

Aproveite!


DMT - Guia de Bolso (inglês)




Part 1: Extraction of DMT 1
Step 1: Prepare the Bark 3
Step 2: Acid Cook 5
Step 3: Basify and Extract 7
Step 4: Freeze Precipitation 10

Part 2: Methods of Purification 11
Section 1: Recrystallisation 11
Section 2: Crystal Growing 14

Part 3: Salting 16
Section 1: Theory 16
Section 2: Practical 17

Part 4: Making DMT Enhanced Leaf 21

Part 5: Methods of Ingestion 24

Suggestion 1: Smoking Enhanced Leaf 24
Suggestion 2: Smoking Crystal 25
Suggestion 3: Using Salts 26
Suggestion 4: Pharmahuasca 27

DOWNLOAD

Cientistas encontram DMT na glândula pineal de ratos vivos

Artigo original: http://psychedelicfrontier.com/2013/05/dmt-found-in-the-pineal-glands-of-live-rats/

Tradução: Equipe DMT Brasil

Obligatory trippy fractal

A Cottonwood Research, uma fundação dedicada a estudar a consciência e liderada por Rick Strassman, está publicando um estudo que confirma a existência (e eles argumentam, a produção) de dimetiltriptamina nas glândulas pineal de ratos. Isso alicerça o caminho para mais pesquisas determinarem se o DMT endógeno nos humanos também é originado na glândula pineal, como tem sido especulado por Strassman e outros pesquisadores. Do site deles:


"Nós estamos excitados de anunciar a aprovação para publicação de um artigo documentando a presença de DMT na glândula pineal de roedores vivos. O artigo vai aparecer no jornal Biomedical Chromatography e descreve os experimentos que foram feitos no laboratório do Dr. Jimo Borjigin na University of Michigan, onde as amostras foram coletadas...

A glândula pineal tem sido um objeto de grande interesse em relação a consciência durante milhares de anos, e uma fonte de DMT na pineal poderia ajudar a dar suporte ao papel dessa glândula enigmática nos estados unusuais de consciência. Uma pesquisa na University of Wisconsin demonstrou recentemente a presença da enzima que sintetiza DMT assim como a atividade do gene responsável por essa enzima na pineal (e na retina). Nossa nova pesquisa agora estabelece que a enzina produz ativamente DMT na pineal.

O próximo passo é determinar a presença do DMT no fluido cérebroespinhal, o fluido que banha o cérebro e a pineal. O fluido cérebroespinhal é uma rota possível para o DMT sintetizado na pineal efetuar mudanças no cérebro. Estabelecendo com sucesso a presença de DMT nessa glândula adiciona-se outro elo na cadeia entre a pineal e a consciência, e abre-se novos caminhos para pesquisa."




É importante realizar que esse é apenas um estudo, ainda a ser publicado, revisado e replicado por outros cientistas. Nós ainda não temos o texto do estudo para examiná-lo em detalhes. Até eu ter mais informações sobre o estudo e outros laboratórios estarem aptos a replicar os resultados, eu continuo cético, mas otimista.

Vários estudos já estabeleceram a existência de DMT endógeno em humanos, juntamente com muitas outras espécies de plantas e animais. Ainda continua difícil identificar seu ponto de origem, no entanto, devido ao seu rápido metabolismo. DMT ocorre em quantidades ínfimas (traços) e é prontamente quebrada pela monoamina oxidase, uma enzima comumente encontrada nos corpos dos animais. Não está claro qual propósito biológico o DMT serve em todo organismo, especialmente porque ele ocorre em níveis muito abaixo das doses recreacionais.

A pineal é uma pequena glândula endócrina localizada perto do centro do cérebro. Ela produz melatonina, uma hormônio envolvido na modulação do humor, ritmo circadiano, e mudanças sazonais no corpo. Mistérios sempre envolveram esse pequeno órgão e sua função ainda não é completamente compreendida, como essa pesquisa deixa aparente. René Descartes mesmo especulou que a glândula pineal é a "morada da alma", a interface onde a mente encontra o cérebro.

Aqui está mais informação sobre o estudo da University of Wisconsin mencionado acima, cortesia do Wikipedia (não confundir com o estudo novo, que concerne a ratos). Esse estudo anterior lançou as bases para uma investigação maior demonstrando a existência da enzima INMT, que é capaz de sintetizar DMT, em tecidos de primatas.


"Em 2011, Nicholas V. Cozzi, da Escola de Medicina e Saúde Pública da University of Wisconsin, concluiu que o INMT, uma enzima que pode estar associada com a biossíntese de DMT e alucinógenos endógenos, está presente na glândula pineal de primatas (macaco rhesus), neurônios ganglionares da retina e na medula espinhal[105]. Em agosto de 2012, Steven Barker, Ethan McIlHenny e Rick Strassman desenvolveram um novo método para medir os três alucinógenos endógenos conhecidos e os seus principais metabólitos óxidos no sangue, urina, fluido cérebroespinhal, fluido ocular e/ou outros tecidos utilizando o equipamento de cromatografia líquida com espectrometria de massa (GC-MS). Pela primeira vez na história, eles foram capazes de detectar o N-óxido-DMT metabólito no sangue e na urina [106]."

DMT e Glândula Pineal - Fato ou Ficção?

Texto original: Hanna J. "DMT and the Pineal: Fact or Fiction?" www.erowid.org/chemicals/dmt/dmt_article2.shtml. Jun 3 2010.

Tradução: Equipe DMT Brasil

________________

Um fato bem conhecido entre os usuários de drogas psicodélicas é a idéia de que o DMT, ou outro psicoativo derivado da triptamina, é produzido pela glândula pineal. 

Quando essa idéia se originou? Ela é realmente verdade? 

Durante sua fala "Psychoactive Drugs Troughout Human History" (Drogas Psicoativas Através da História Humana), numa conferência em 1983 na Universidade da Califórnia em Santa Barbara, o pesquisador Andrew Weil mencionou em uma passagem: "A Dimetiltriptamina [...] é quase certamente feita pela glândula pineal no cérebro". Enquanto isso, na Universidade da Califórnia em San Diego, Rick Strassman começou a se perguntar se a pineal poderia ou não produzir compostos psicodélicos. No mesmo ano, em seu livro "Eros e a Pineal: O guia do leigo do cérebro solitário", Albert Most afirmou que  "Um par de enzinas que ocorrem naturalmente na pineal [...] é capaz de converter a serotonina em vários alucinógenos potentes." A maioria dos pesquisadores indica que a pineal pode transformar serotonina em 5-metoxi-N-metiltriptamina e em seguida fazer com que esse composto se transforme em N,N-dimetiltriptamina. Infelizmente, não há referências fornecidas para suportar a descrição dada por Albert Most para o metabolismo da pineal. No entanto, parece provável que esta linha geral de pensamento - a de que algumas triptaminas psicoativas são produzidas na pineal - nasceu no início dos anos 80.*

Demorou duas décadas para a notícia se espalhar pelo resto da cultura psicodélica, mais recentemente e rapidamente devido à Internet, e após a publicação em 2001 do popular livro do Dr. Rick Strassman: "DMT - A molécula do Espírito". Considere a seguinte transcrição do discurso de rádio dado em 2005-2006, do ator e comediante Joe Rogan, apresentador do Fear Factor TV Show:

"É chamada dimetiltriptamina. É produzida pela glândula pineal. É realmente uma glândula [...] está no centro de seu cérebro. É a droga mais louca de todas. É o mais potente psicodélico conhecido pelo homem. Literalmente. Mas a coisa mais bizarra é que ele é natural, e o seu cérebro produz a cada noite enquanto você dorme. Você sabia, quando você dorme, durante o tempo que você está em R.E.M profundo, dormindo... e quando você está a beira da morte, o seu cérebro produz quantidades bombásticas de dimetiltriptamina. Ninguém sabe o que o sono representa realmente. Ninguém sabe por que sonhar é importante. Mas sonhar é extremamente importante. Se você não sonhar, você vai ficar realmente louco e vai morrer. Enquanto você está sonhando, enquanto você está em sono REM profundo, você está passando por uma viagem psicodélica. E poucas pessoas sabem sobre isso. Mas tem sido documentado.
Há um grande livro sobre ele chamado DMT: The Spirit Molecule escrito por um médico chamado Dr. Rick Strassman. E ele fez todos os estudos clínicos na Universidade do Novo México sobre ele. E você toma essa coisa, e, literalmente, você é transformado para uma outra dimensão extraordinária. Não quero dizer que é como se você se sentisse em outra dimensão,  eu quero dizer, você está em outra dimensão. [...] Há complexos padrões geométricos movendo-se sincronicamente por todo o ar em torno de você no espaço tridimensional; e é como se fossem artérias, exceto porque não há sangue pulsando dentro deles, eles são luzes pulsantes, luzes sem limites. E você realmente não consegue entender aquilo. E há uma comunicação alienígena comigo. Tem um garoto que se parece, se parece como um Buda Tailandês, exceto porque ele é completamente feito de energia e não há, não há como delineá-lo - ele é uma só coisa. E ele está concentrado em mim, e está me dizendo para eu não me assombrar. Relaxe simplesmente, e tente experienciar isso. E eu penso, 'você só pode estar zombando de mim'. E eu sou um comediante de stand up, você sabe, como um comediante de stand up, nós nos orgulhamos em ser capazes de descrever as coisas. Então eu pensei, 'Como diabos eu vou falar sobre isso?!'"


Rogan fez um excelente trabalho expressando vários pontos chaves do livro de Strassman de maneira bem humorada. Mas o problema é que nenhum desses pontos são comprovados verdadeiramente. E apesar do fato de Strassman claramente afirmar que as suas idéias sobre o DMT e a glândula pineal não são comprovadas**, muitas pessoas tem as aceitado como um fato. Até junho de 2010 não havia evidências científicas de que a glândula pineal produz DMT, muito menos evidências há sobre as especulações que Strassman fez sobre o DMT ser um modulador químico da alma humana. Quando Strassman examinou a glândula pineal de dez cérebros de pessoas falecidas, havia apenas um traço pequeno de DMT. Isso não invalida sua teoria, visto que o DMT é metabolizado rapidamente, e nenhum dos cérebros foi congelado rapidamente. Outros testes em cérebros frescos e congelados poderiam ser feitos. Algum dia haverá mais evidências de que o DMT é produzido na glândula pineal, mas tal dia ainda não chegou. 

Até o final do seu livro, Strassman propõe que o DMT pode fornecer acesso a universos paralelos (e seres alienígenas) via computação quântica supercondutora no cérebro humano à temperatura ambiente, ou via interações com a matéria escura. Strassman afirma: "Porque eu sei tão pouco sobre física teórica, há menos constrangimento da minha parte em fazer tais especulações." E para aqueles que não sabem virtualmente nada sobre nenhum dos tópicos, parece não haver restrições em fazer especulações. É exatamente por essa razão que as teorias de Strassman foram ambas aceitas como fato por muitas pessoas, e expandida criativamente em novas direções. Algumas teorias especulativas incluem a idéia que os antigos profetas produziram mais DMT, que os campos eletro-magnéticos aumentam a produção de DMT, que passando duas semanas na escuridão total aumenta a produção de DMT, e que água fluoretada suprime a produção de DMT. Uma busca na Internet vai mostrar como tem muito maluco querendo recompensas, o qual todos buscam nas especulações de Strassman os fatos por detrás do que dizem. 

O DMT é realmente produzido pela glândula pineal? Talvez...


Addendum: 

"Eu fiz o possível no meu livro sobre DMT para diferenciar entre o que é conhecido e o que eu estava conjecturando (baseado no que é conhecido), relativo a certos aspectos da dinâmica do DMT. No entanto, é fantástico quão inefetivo meus esforços se fizeram. Assim muitas pessoas me escreveram, ou escreveram em algum lugar, sobre o DMT e a pineal, assumindo que as coisas que eu tinha conjecturado eram verdadeiras. Quando eu estava escrevendo o livro, eu pensei que estava sendo claro o suficiente, e ficar me repetindo isso teria se tornado tedioso.

Nós não sabemos se o DMT é feito na pineal. Eu reuni um grande grupo de evidências circunstanciais suportando a razão para olhar com calma e profundamente para a pineal, mas nós não sabemos ainda. Há estudos sugerindo aumento de DMT na urina de paciente psicóticos quando suas psicoses estão no pior grau. No entanto, nós não sabemos se o DMT aumenta durante os sonhos, meditação, experiências de quase-morte, morte, nascimento ou qualquer outro estado alterado endógeno. Na medida em que estes estados se assemelham àqueles produzidos pela ingestão de DMT, certamente faz sentido se você imaginar que o DMT endógeno possa estar envolvido, e se estiver, iria explicar muita coisa. Mas nós não sabemos ainda. Mesmo se a pineal não estiver envolvida, isso teria pouco impacto nas minhas teorias que sugerem um papel para o DMT nos estados alterados endógenos, porque nós já sabemos que o gene envolvido na síntese do DMT está presente em vários órgãos, especialmente do pulmão. Se a pineal também produz DMT, isso iria amarrar um monte de pontas soltas sobre este enigmático órgão. Apesar de que pessoas podem viver normalmente sem a glândula pineal, por exemplo quando ela teve que ser removida por causa de um tumor. 

Em ambos os aspectos - a conexão DMT-pineal, e a dinâmica do DMT endógeno - nós saberemos muito mais com os próximos anos de estudos graças aos esforços de um grupo de pesquisa liderado por Steven Barker da Louisiana State University. Ele, junto com seu estudante de graduação Ethan McIlhenny estão desenvolvendo um estudo inovador para DMT, 5-MeO-DMT, bufotenina, e metabólitos. Esse estudo será capaz de detectar esses compostos muito mais sensivelmente do que as gerações anteriores de pesquisas. Eles estão olhando o nível de DMT normal em indivíduos acordados e sóbrios, para avaliar os valores iniciais desses compostos. Nós teremos alguns dados sobre esses ensaios em um ano. Eles também estarão olhando para o tecido da pineal. Uma vez que tenhamos alguns dados de base em humanos normais em estados de vigília, comparações podem ser feitas entre esses níveis e os níveis dos estados alterados endógenos, como sonhos, EQM, e outros."

Rick Strassman


Notas:

* Albert Most é talvez mais conhecido pelo seu livro de 1984 Bufo alvarius: The Psychedelic Toad of the Sonoran Desert (Bufo alvarius: o sapo psicodélico do deserto de Sonora), no qual explica como coletar e fumar o 5-MeO-DMT- contido nas secreções deste animal. Coincidentemente, Most foi um dos dois primeiros voluntários na pesquisa do Rick Strassman com o DMT, iniciada em 1990 e terminada em 1995. E durante o período que Strassman estava pesquisando o DMT, Andrew Weil foi co-autor de dois artigos com Wade Davis sobre as secreções psicoativas do Bufo alvarius.

** Strassman comentando sobre o DMT na pineal:

Estas hipóteses não são confirmadas, mas elas derivam de estudos científicos combinados com observações e ensinamentos religiosos e espirituais. [...]
A hipótese mais geral é que a pineal produz quantidades psicodélicas de DMT em momentos extraordinários da nossa vida. A produção de DMT na pineal é a representação física de processos energéticos não-materiais. Ele nos fornece o veículo para conscientemente experimentarmos o movimento da força vital nas suas mais extremas manifestações. Exemplos específicos desse fenômeno descrevo a seguir:
Quando nossa força vital individual entra no corpo do feto, no momento em que nos tornamos verdadeiramente humanos, então uma corrente passa pela pineal e a induz a produzir o fluxo primordial de DMT.  
Depois, no nascimento, a pineal produz mais DMT. 
Em alguns de nós, o DMT da pineal media experiências de pico como meditação profunda, psicoses e experiências de quase morte. 
Quando morremos, a força vital dos nossos corpos sai através da glândula pineal, provocando outra enxurrada dessa molécula psicodélica do espírito. (páginas 68-69, DMT: The Spirit Molecule, 2001)



v1.0 - Jun 3, 2010 - Jon Hanna - Does the pineal gland really produce psychoative tryptamines?
v1.1 - Jun 29, 2010 - Addendum por Rick Strassman

Programe sua experiência

PROGRAME SUA EXPERIÊNCIA – ESTEJA PREPARADO

Autor: Tupy







Uma experiência psicodélica é um período de intensas reações de estímulos sensoriais seja de dentro ou de fora. Já uma experiência psicodélica “programada” é uma em que a seqüência de estímulos é mais padronizada, não deixada tanto a sorte, sendo arranjada de uma maneira a lhe dar mais segurança, lhe permitindo ir a lugares mais desejáveis.
Usando um programa, tentamos controlar a experiência psicodélica a determinadas direções.
Um programa é como se fosse um panfleto de viagem, posso pegá-lo no aeroporto e visualizar por onde devo começar, qual o melhor caminho a se tomar, uma série de sinais e símbolos que irão me ajudar. Um bom exemplo, seria um piloto de avião, novato, em suas primeiras aulas de vôo, necessita em muita das comunicações da torre de comando por rádio, que irão prover a ele orientações durante a “viagem”, ajudando assim a voar em território desconhecido e por entre tempo fechado.

A idéia de programar uma experiência psicodélica é baseada na teoria sobre a natureza dos efeitos psicodélicos. A hipótese, que foi primeiramente formulada por Thimoty Leary na Universidade de Harvard (EUA) - Projeto Psilocibina (Psilocybin Project), e foi amplamente aceita por cientistas e pesquisadores da área, é que o conteúdo da experiência psicodélica é primeiramente determinado por dois fatores chave: set e setting. “Set”, se refere ao estado interno da pessoa tendo a experiência, seu humor, expectativas, medos, desejos; Setting, se refere as condições externas da experiência, o estado físico das coisas ao seu redor, os objetos que o cercam, o espaço, as suas relações com as pessoas que no momento estão a sua volta e, principalmente, da pessoa que está lhe entregando a oportunidade da experiência, essa também é tido como um elemento do setting.

Já é bem entendido que os psicodélicos, agora já melhor compreendidos e chamados de enteógenos, podem produzir fortes experiências religiosas, visionárias, terapêuticas ou de vários outros tipos, dependendo do set e setting.

É uma observação simples a de que as experiências com maior sucesso as mais educacionais e libertadoras são aquelas precedidas por um período de desligamento do mundo externo, dos jogos e compromissos cotidianos. O tempo que precede a ingestão de substâncias alteradoras de consciência é crucial do ponto de vista de preparação interna. O conteúdo da sua conscîência nesse tempo irá dominar a sua posterior experiência.

Aquele que se sente deprimido, ansioso ou irritado, irá levar essas sensações negativas à experiência, se farão fazer sentir com grande intensidade. Se o indivíduo se sente sereno, tranquilo, confiante e desgarrado de todos os problemas do cotidiano, a experiência tende a ser livre e iluminada.

A importância de preparar a mente e o corpo para a experiência dificilmente pode ser superestimado. Fisiologicamente, a parte mais importante da sessão com os enteógenos é quando se faz sentir os primeiros efeitos químicos no corpo. O experimentador não está preparado para esse momento de "decolagem", muita da sua firmeza no restante da experiência vai depender de como você lida com esse momento, de como você se livra das suas impressões do cotidiano, das suas impressões, e querer explicar e compreender tudo o que acontece com o seu corpo. Os batimentos cardíacos, a sudorese, o formigamento das mãoes e pernas, a agitação e por ai adiante. Estar preparado para essas mudanças, estar consciente e de mente serena irá lhe proporcionar tudo o de melhor que a experiência tem a oferecer, a lidar com essas poderosas energias que estão para vir.

Existem classes de homens que, tendo carregado conflitos cármicos a respeito de inibições de sentimentos, mostram-se incapazes de manter a experiência pura além de quaisquer sentimentos, e escorregam para visões de caráter emocional. A energia indiferenciada é tecida em jogos visionários na forma de sentimentos intensos. Pulsantes, estranhas e intensas sensações de amor e unidade serão sentidas; o equivalente negativo são sentimentos de afeição, cobiça, isolamento e preocupações com o corpo.


Eis uma lista das sensações físicas comumente relatadas: 1. Pressão corporal, que os tibetanos chamam de terra-se-desfazendo-em-água; 2. Frio úmido, seguido por calor febril, o que os tibetanos chamam de água-se-desfazendo-em-fogo; 3. Desintegração do corpo ou a sua dispersão em átomos, chamada fogo-se-desfazendo-em-ar; 4. Pressão na cabeça e nos
ouvidos, que os americanos chamam de foguete-sendo-lançado-ao-espaço; 5. Formigamento nas extremidades; 6. Sensação de como se o corpo estivesse derretendo ou escorrendo como cera; 7. Náusea; 8. Tremor, começando na região pélvica e se espalhando para o tronco.

As reações físicas devem ser reconhecidas como sinais indicativos da transcendência. Evite tratá-las como sintomas de doença, aceite-as, una-se a elas, aproveite-as. Ainda, se o sujeito experimentar sensações estomacais, elas devem ser saudadas com um sinal de que a consciência está se movendo pelo corpo.

Pode ser de ajuda descrever em maiores detalhes alguns dos fenômenos que geralmente acompanham o momento da ego-perda. Um deles pode ser chamado de “fluxo de ondas de energia”. O indivíduo torna-se consciente de que é parte de um campo de energia carregado, e de que está cercado por ele, que parece quase elétrico. Para prolongar o estado de ego-perda tanto quanto possível, a pessoa preparada relaxará e permitirá que as forças fluam através dela. Há dois perigos a evitar: a tentativa de controlar e racionalizar esse fluxo.

Um segundo fluxo é o chamado “fluxo vital biológico”, aqui a pessoa torna-se consciente dos processos bioquímicos e fisiológicos, da atividade rítmica pulsante no interior do corpo. Os processos biológicos interiores podem também ser ouvidos como chiados e barulhos de crepitação e trituração característicos. A pessoa deve resistir à tentação de rotular e controlar esses processos. Nesse ponto você está ligado a áreas do sistema nervoso que são inacessíveis à percepção rotineira. Você não pode arrastar o seu ego para dentro dos processos moleculares da vida. Esses processos são um bilhão de anos mais velhos que a mente conceitual erudita.

Então, algumas dicas de como deixar a sua mente e o ambiente em volta o mais sereno e prazeroso o possível para a experiência poder correr sem muitos transtornos sejam eles de que ordem forem.

Escolha um ambiente calmo, onde sabe que durante todo o período em que você estiver ali, ninguém irá aparecer, pessoas que não foram convidadas a participar da experiência não irão entender o que está se passando, além disso, haverá um choque de energias, de egos, o que em muita irá lhe confundir e dificultar a sua experiência. Então, pré determine um local tranquilo, seja ele numa praia, nas matas, montanhas, sítio, ou em algum comodo da sua casa.

O uso de incensos é uma forma de meditação, os aromas, despertam instintos básicos do ser humano e são muito bem vindos em experiências psicodélicas.
Sabores e toques também podem ser experimentados durante a sessão. Os seus sentidos irão demonstrar dimensões de percepção nunca antes vistas ou sentidas, prepare frutas, e, diferentes texturas como quadros com motivos hindus (dependendo de suas concepções religiosas), quadros com mandalas também são muito interessantes.

Musicas indianas são perfeitas para esses tipos de sessões, a tradição hindu preservou formas e modos de comunicação musical que transcendem milhares de anos e possuem um tempero muito psicodélico, despertam partes adormecidas do seu subconsciente, brilham forte em cada nota, denotando uma música universal, que flui junto as vibrações da natureza.

Na verdade o conteúdo do programa, vai depender muito do propósito, objetivos, da sessão. Diagnósticos, terapia, entendimento intelectual, visionária, apreciação, comunicação interpessoal, entendimento próprio, desenvolvimento do espiritual, entre outros.

É aconselhado que no dia seguinte a sua experiência, de preferência, tente se abster de comunicação, procure não sair falando a todos como foi que aconteceu a sua experiência, reserve esse dia para meditar mais profundamente acerca e tudo o que se passou no dia anterior. Um dos principais motivos de "não se entender" do que aconteceu durante a sessão é essa ânsia de logo de imediato querer racionalizar ou "explicar" a experiência. Reserve esse dia para manter a serenidade, não deixe-se ser tomado pela ansiedade, ela só vai lhe bloquear as reais intenções e entendimentos que porventura possam ter sido desencadeados. Deixe-se absorver lentamente os detalhes da experiencia, deixe a mente fluir livremente, sem dogmas, sem ego.

A pessoa experiente está normalmente além da dependência do cenário. Ela pode desligar-se da pressão exterior e retornar à iluminação. Uma pessoa extrovertida, dependente de jogos sociais e situações exteriores pode, no entanto, ficar prazerosamente distraída (cores, sons, pessoas). Se você antecipar a distração do extrovertido e quiser manter um estado de êxtase de não-jogos, então lembre-se de seguir as seguintes instruções: não se distraia, tente se concentrar numa personalidade contemplativa ideal, por exemplo o Buda, Cristo, Sócrates, Ramakrishna, Einstein, Hermann Hesse ou Lao Tsé: siga o seu modelo como se ele fosse um ser com um corpo físico esperando por você. Junte-se a ele.

Outra parte muito delicada que os enteógenos tocam em você é sua cultura. Então a importancia do programa é lhe assegurar um controle forte sobre o sistema nervoso. O processo de ser gerado nesse mundo e ser educado dentro de determinados padrões e simbologias, dentro de uma determinada cultura é um processo de ter no seu sistema nervoso impresso essas simbologias. O preço dessa impressão no nosso sistema nervoso é o preço de não poder enxergar com nitidez e eficiencia simbolos externos e estranhos a nós. Então, se prepare para esses choques de percepção e cultura que serão re-impressos em você, esteja atento.

No auge da experiência, o fluxo de consciência, microscopicamente nítido e intenso, é interrompido por tentativas fugazes de interpretar e racionalizar. Mas o ego-jogador normal não está funcionando efetivamente. Existem, portanto, possibilidades ilimitadas para, por um lado, novidades intelectuais e emocionais agradáveis se deixar-se flutuar com a corrente; e, por outro lado, temíveis emboscadas de confusão e terror se tentar-se impor a sua vontade à experiência.

Esteja ciente para os pontos de escolha que surgem durante este estágio. Estranhos sons, visões sobrenaturais e perturbadoras podem ocorrer. Eles podem impressionar, assustar e atemorizar a não ser que se esteja preparado.

A pessoa experiente será capaz de manter a percepção de que todas as percepções vêm de dentro e será capaz de sentar-se calmamente, controlando sua consciência expandida como um aparelho de televisão multidimensional fantasmagórico: as alucinações mais agudas e sensíveis – visuais, audíveis, táteis, olfativas, físicas e corporais; as reações mais requintadas, o discernimento compassivo do eu, do mundo. A chave é a inação: a integração passiva com tudo o que ocorre à sua volta. Se você tentar impor sua vontade, usar sua mente, racionalizar, buscar explicações, você será pego em rodamoinhos alucinatórios. O lema: paz, aceitação. É um panorama que muda continuamente. Você é temporariamente apartado(a) do mundo de jogo. Aproveite isso.

Os inexperientes e aqueles para os quais o ego-controle é importante podem considerar a passividade impossível. Se você não puder se manter inativo(a) e subjugar sua vontade, então a única atividade que pode certamente reduzir o pânico e puxá-lo(a) de volta dos jogos mentais alucinatórios é o contato físico com outra pessoa. Vá até o guia ou até outro participante e ponha sua cabeça no ombro dele(a) ou no seu colo; ponha seu rosto próximo ao dele(a) e se concentre no movimento e no som da respiração dele(a). Respire profundamente e sinta o ar correr para dentro e a expiração. Esta é a forma mais antiga de comunicação viva; a irmandade da respiração. A mão do guia sobre sua testa pode ajudar no relaxamento. O contato com outro participante pode ser mal-entendido e provocar alucinações sexuais. Por esta razão, esse tipo de ajuda deve ser combinada previa e explicitamente.

Não se pode prever que visões ocorrerão, nem sua seqüência. Pode-se apenas incitar os participantes a fechar a boca, respirar pelo nariz, e desligar a irrequieta mente racionalizante. Mas só uma pessoa experiente de inclinações místicas consegue fazer isso (e assim permanecer no sereno esclarecimento). A pessoa despreparada ficará confusa ou, pior, entrará em pânico: a luta intelectual para controlar o oceano.

No caso dos psicodélicos mais amplamente usados (LSD, psilocibina etc.), é seguro dizer que tais efeitos corporais praticamente nunca são efeito direto da droga. A droga age apenas sobre o cérebro e ativa padrões neurais centrais. Todos os sintomas físicos são criados pela mente. Indisposição física é um sinal de que o ego está lutando para manter ou recuperar o controle através da dissolução dos limites emocionais.

"Conhece-te a ti mesmo" uma das frases mais antigas conhecidas pela humanidade, está escrita na pedra em cima da entrada principal do Oráculo de Delfos, na Grécia. Essa frase aponta ao fato de que em ordem para você ser livre do arraigado de idéias e imposições da cultura dominante, você deve começar a se entender primeiro, entender o seu eu interior, seu ego, seu organismo, físico, emocional e mental.


Referências:

The Relation of Expectation and Mood to Psilocybin Reactions: A Questionnaire Study - Psychedelic Review, No. 5, 1965

Programmed Communication During Experience with DMT, Timothy Leary Psychedelic Review, No. 8, 1966

On Programming Psychedelic Experiences, Ralph Metzner & Timothy Leary Psychedelic Review, No. 9, 1967 (complete pdf)

The Psychedelic Experience: A Manual Based on the Tibetan Book of the Dead (Citadel Underground) by Timothy Leary (Oct 1, 2000)

DMT e Neurociências





DMT e Neurociências

Marcelo Bolshaw Gomes [1]
Jornalista, professor de comunicação da UFRN, doutorando em ciências sociais, currículo Lattes: http://genos.cnpq.br:12010/dwlattes/owa/prc_imp_cv_int?f_cod=K4792219T9


JUSTIFICATIVA

O N,N-DMT ou N,N-dimethyltryptamine (C12H16N2), o alcalóide psicoativo existente na “bebidas mágicas brasileiras” (Ayahuasca e Jurema), deve se tornar no principal antidepressivo deste século, indicado para processos terapêuticos de mudança de hábitos, principalmente em tratamentos de dependência química, podendo ainda ser utilizado para o estudo da mente e para o desenvolvimento humano. E, apesar desta substância, só existir em plantas no Brasil e de sua patente científica ser discutido no âmbito internacional, ainda são poucas as pesquisas interdisciplinares realizadas sobre o assunto.

Sobre a Ayahuasca, há uma farta literatura botânica e antropológica, alguns estudos específicos sobre sua farmacologia e uma compilação interdisciplinar recente (LABATE & ARAÚJO; 2002) – que detalhamos adiante. Importante agora é ressaltar a descoberta do “efeito ayahuasca” (HOLMSTEDT-LINDGREN, 1967), isto é, de que a psicoatividade oral do DMT depende da inibição da monoanima-oxidase (a enzina catabólica MAO), causada pela ingestão simultânea de beta-carbonilas. Na Ayahuasca, o princípio simbólico feminino é constituído pela folha da Psichotria Viridis (Chacrona ou Rainha), portadora de DMT; e o princípio masculino, pelo cipó Banisteriopsis Caapi (Jagube ou Mariri), que contém harmina e harmalina, inibidores que geram a psicoatividade. Porém, nem a folha nem o cipó são psicoativos tomados separadamente.

Sobre a Jurema, o estudo contemporâneo mais importante é harmahuasca, anahuasca e jurema preta: farmacologia humana de DMT oral mais harmine de Jonathan Ott (2002), em que se investiga a hipótese de sinergia psicoativa entre o DMT e as b-carbonilas em diferentes preparos: a pharmahuasca (cápsulas de DMT e Harmine sintéticos); a anahuasca (bebidas preparadas com plantas diferentes da Ayahuasca, mas com os mesmos princípios ativos); e, finalmente, a Jurema preta, que apresenta um nível de concentração de DMT muito superior ao de outras plantas e é principal fonte contemporânea de triptaminas para as pharmahuascas e anahuascas. Outra descoberta notável, é que, consumido via oral acima de 25 mg, o DMT é psicoativo por si só, não precisando de inibidores. Não haveria, portanto, o tão propalado “ingrediente perdido” do preparo da Jurema entre os índios nordestinos.

Sobre o DMT propriamente dito, as pesquisas se iniciam com os textos de Terence McKenna (1992, 1993, 1994 e 1996). Hoje, na internet, encontram-se alguns sites com informação detalhada sobre a substância ([2]).

Toda informação disponível referente a estes três pontos (a Ayahuasca, a Jurema e o DMT) será detalhada em diferentes revisões bibliográficas.

OBJETIVOS E METODOLOGIA

Além de investigar o efeito do DMT no cérebro, o objetivo principal desta pesquisa é, observando o aspecto reverso, estudar a mente através do DMT. Ou seja: não apenas estudar o efeito químico da substância no organismo, mas, sobretudo, compreender quais dimensões de consciência que este efeito propicia (telepatia, regressões mentais a traumas infantis, visualização de imagens do inconsciente profundo, mudanças na percepção do tempo e da realidade).

Todavia, há também objetivos secundários bastantes relevantes. Em primeiro lugar, trata-se da importância de se estabelecer um projeto de pesquisa trans-disciplinar de ponta envolvendo pesquisadores locais (psicólogos, antropólogos, médicos, etc) com um assunto regional (uma vez que a jurema é nativa do semi-árido nordestino) dentro do Centro Internacional de Neurociências. Pensamos que a UFRN não deve apenas sediar este instituto de pesquisa, mas também participar desta iniciativa com seus pesquisadores, com temas de interesse público da sociedade potiguar. Mas não é só: o projeto quer também objetiva a elaboração e produção artesanal de um medicamento a base de DMT extraído da Jurema, bem como a possibilidade de sua utilização no tratamento de dependentes químicos. Para tanto, várias outras pesquisas específicas precisam ser desenvolvidas, ampliando assim o campo da investigação. Trata-se assim de um projeto geral a partir do qual outros projetos podem ser desenvolvidos.

A idéia é entrecruzar diferentes metodologias para investigar o DMT: estatísticas de entrevistas qualitativas, hipnose, encefalogramas, tomografias cerebrais, simulações holográficas, experiências com símios e outros animais e até dissecação do cérebro de doadores. Também é preciso colocar que cada sub-pesquisa do macro-projeto comporta uma metodologia específica aos seus objetivos particulares. Por exemplo: extrair DMT da Jurema e sintetiza-lo com b-carnboninas em um medicamento? Ou ainda se a potencialização homeopática do DMT+harmine aumenta a eficácia do medicamento em pequenas dosagens de longo prazo? Essas são investigações que comportariam metodologias e técnicas de pesquisas específicas.

O essencial, no entanto, será demonstrado através do método lógico dedutivo, com ficará claro com a enunciação da hipótese da pesquisa, após as revisões bibliográficas necessárias para colocação do assunto no patamar atual.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA I – A AYAHUASCA

A bebida conhecida como Ayahuasca ou Yajé é preparada através da infusão do cipó do Jagube ou Mariri (Banisteriopsis caapi) e da folha da Rainha ou Chacrona (Psycotria viridis) - naturais da região. A bebida teria origem do Império Inca e seu uso teria se difundido entre várias tribos indígenas, das quais se tem razoável conhecimento antropológico. Ingerindo o chá, os índios absorvem o espírito da planta e, em transe, têm experiências psíquicas e vivenciam fenômenos paranormais, tais como a telepatia, a regressão a vidas passadas, contatos com os espíritos dos seus antepassados mortos, presciência e visão à distância. Há relatos de xamãs usavam a bebida para descobrir qual era a doença de seus pacientes e saber como tratá-la. Diversos antropólogos, inclusive, tomaram o chá e descreveram seus efeitos parapsíquicos. Ainda hoje, várias tribos praticam rituais com o uso da Ayahuasca no Brasil, como as dos Kampas e dos Kaxinawás, localizadas perto da fronteira com o Peru. Desde o início do século, nos contatos culturais entre seringueiros e índios, a Ayahuasca passou a ser usada pelos migrantes nordestinos, que colonizaram a Amazônia ocidental. Destes contatos surgiram diversos grupos que associaram o uso da bebida a um contexto religioso cristão-espírita, dos quais a União do Vegetal, no estado de Rondônia, o Santo Daime e a Barquinha, no Acre, são os maiores expoentes.

Paralelamente ao crescimento desses grupos e à expansão do uso religioso do Ayahuasca, uma forte resistência dos setores conservadores da sociedade brasileira se formou, pressionando o governo para embargar o funcionamento destas instituições nos grandes centros metropolitanos. Porém, no dia dois de junho de l992, o conselho decidiu liberar definitivamente a utilização do chá para fins religiosos em todo o território nacional. Segundo a então presidente do Conselho Federal de Entorpecentes (Confen), Ester Kosovsky, “a investigação, desenvolvida desde l985, baseou-se numa abordagem interdisciplinar, levando em conta o lado antropológico, sociológico, cultural e psicológico, além de análises fitoquímicas”. O relator do processo de investigação, Domingos Carneiro de Sá, explicou que o fato fundamental para a liberação da bebida foi o comportamento dos ayahuasqueiros e a seriedade dos centros que utilizam o chá em seus rituais: “Não foram observadas atitudes anti-sociais dos participantes dos cultos, ao contrário, podemos constatar os efeitos integrados e reestruturantes do Ayahuasca com indivíduos que antes de participarem dos rituais apresentavam desajustes sociais ou psicológicos”.

Contra-indicações e efeitos colaterais

Geralmente se observa uma dieta estrita antes as sessões de ayahuasca: comida sem sal, açúcar, óleo, gorduras e condimentos picantes; e principalmente nenhum álcool ou sexo antes, durante ou nos dias imediatamente após a ingestão, em um marco de repouso, silêncio e isolamento do mundo cotidiano. Está comprovado que a dieta influencia diretamente na qualidade da experiência e, sem dúvida, o maior perigo físico ao ingerir ayahuasca está relacionado com os efeitos da harmala, harmalina e tetrahidroharmina que contém, os que cumprem uma importante função inibidora da enzima monoamina oxidasa (MAO).

A tiramina é um aminoácido que normalmente é metabolizado pela MAO no intestino. Logo de levar compostos inibidores da MAO, a tiramina que se encontra em certos alimentos já não pode ser metabolizada pelo organismo enquanto a MAO se encontre inibida. Isto pode causar um acréscimo dos níveis de tiramina na sangre. Feito que os altos níveis de tiramina podem afectar a produção natural de noradrenalina, esta condição pode conduzir a uma crise hipertensiva. Numa crise hipertensiva a pressão sanguínea pode sobressair 180 e o batido cardíaco pode chegar a mais de 100 pulsos por minuto. Quem sofre de uma crise hipertensiva geralmente reporta uma terrível enxaqueca, e pode se complicar chegando a produzir hemorragias, infartos, problemas neurológicos entre outros.

A tiramina se encontra em queijos, vinhos e geralmente em tudo fermentado. Também as drogas simpatomiméticas (MDMA, benzedrina, etc.) podem causar uma crise hipertensiva, além disso de certas ervas naturais a dar reações alérgicas. Os alimentos com alto teor de tiramina que devem ser evitados nos dias prévios e posteriores de cada sessão: queijos fermentados, molhos picantes, feijões, soja, caviar e sucedâneos, chocolate, enlatados, levedura, fígados, figos secos, pescado seco e encharque, banana, café, cerveja, vinho rosado e tinto, carnes em geral. Há também alimentos com moderado teor de tiramina a serem limitados: frutas (a maioria), produtos lácteos (leite, manteiga, yogurte, queijo fresco, etc.), chá, gasosos, vinhos brancos, missó e amendoim.

Um problema mais sério é a possibilidade de interação com outras drogas como o álcool. Uma das interações mais perigosas com inibidores da MAO é a modificação de inibidores seletivos de serotonina (SSRIs). Isto pode desencadear uma síndrome serotoninérgica, parecida com a crise hipertensiva em quanto aos sintomas de elevação da pressão, mas com certas diferenças. Sintomas como agonia aguda na ponta-cabeça, sangramento pelo nariz, rigidez muscular e febre podem indicar o aparecimento de uma crise hipertensiva, de uma síndrome serotoninérgico ou de ambas.

Incidentalmente, não só antidepresivos como os tricíclicos, heterocíclicos, SSRIs e outros antidepresivos atípicos podem causar interacciones perigosas com os começos ativos da ayahuasca, senão também muitas outras drogas, como os descongestionantes nasais, pílulas de emagrecimento, efedrinas, remédios contra a alergia e opiáceos. Também os medicamentos contra a enxaqueca, como o sumatriptan (Imitrex), são maliciosos à inibição da MAO. Ante a aparição inconfundível dos sintomas hipertensivos é recomendável uma cápsula sublingual de nifedipina 10 mg. cada 8 horas, ou se não tabletes de 25 mg. de clorpromazina (narcótico adrenolítica). Ambas podem abaixar a pressão, em caso de urgência.

Em relação aos aspectos antropológicos do Ayahuasca (tradição indígena, grupos religiosos atuais, farmacologia e comportamento psicológico, na Internet, é possível levantar bastante informação sobre o assunto[3]. Mas, o trabalho científico mais importante publicado sobre o tema certamente é O Uso Ritual da Ayahuasca, (LABATE, B. C. & ARAÚJO W. S. (Orgs); 2002). Neste trabalho, além de trabalhos sobre as tradições indígenas e os principais grupos ayahuasqueiros brasileiros (Santo Daime, União do Vegetal e a Barquinha), encontram-se três estudos médicos coordenados pelo Dr. Glacus Brito, em que se relata os resultados da investigação realizadas em 1993 por um grupo de pesquisadores biomédicos brasileiros, norte-americanos e finlandeses para avaliar os efeitos bioquímicos e psicológicos do ayahuasca.

Porém, o texto mais interessante desta compilação é o trabalho do psicólogo cognitivo israelense Benny Shanon, em que se investiga não apenas os aspectos antropológicos e botânicos do ayahuasca, mas também e sobretudo, no sentido reverso, se pesquisa da mente através da experiência do DMT. Pesquisa essa que queremos retomar no âmbito da neurociência.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA II – A JUREMA

Não é difícil entender porque a Jurema seria sagrada para os índios nordestinos antes da chegada dos brancos. Além de seu caráter alucinógeno e do seu comprovado uso nas guerras e ritos de passagem, a Jurema, enquanto planta, desempenha um papel central no ecossistema semi-árido das caatingas nordestinas: durante os longos períodos de estiagem, quando a paisagem do sertão fica cinza e vermelho, apenas ela e o cacto do mandacaru resistem verdes e com reservas de água. Na verdade, no auge da estiagem, a casca da Jurema seca enquanto seu interior permanece viçoso. Quando a chuva volta, a casca seca cai e a árvore reaparece jovem. Esse fenômeno dá margem a uma longa mitologia de lendas e cantos envolvendo os ciclos de sazonalidade e morte/renascimento. Mas, ao contrário do mandacaru, do qual o sertanejo pode extrair água durante a estiagem, a água da Jurema é completamente inacessível ao uso humano. No caso da Jurema, a existência de água atrai a presença de pequenos insetos e de vários níveis de pequenos predadores da cadeia alimentar do ecossistema do sertão. As cobras são habituais no juremal, tanto pela existência farta de seu alimento como pela proteção dos galhos espinhosos, impossibilitando o trânsito de animais maiores. Este fato deu margem a uma extensa mitologia popular, cantada em pontos e chamadas tradicionais, em que as cobras protegem espiritualmente à árvore, assim como esta, com seus espinhos, protege os seus répteis guardiões. Assim, centro da resistência da vida orgânica à seca, em torno do qual todo ecossistema ‘não-humano’ (na verdade, não-mamífero) da caatinga gravita, a Jurema reina no sertão nordestino, desde tempos imemoriais, às margens de qualquer socialização: trata-se apenas um local perigoso e cheio de tabus, sob múltiplos aspectos.

O próprio termo comporta denotações múltiplas, que são associadas em um simbolismo complexo (MOTA & BARROS, 1990:171). Além do sentido botânico[4], a palavra Jurema designa ainda pelos menos três outros significados: preparado líquido à base de elementos do vegetal, de uso medicinal ou místico, externo e interno, como a bebida sagrada, "vinho da Jurema”; cerimônia mágico-religiosa, liderada por pajés, xamãs, curandeiros, rezadeiras, pais de santo, mestras ou mestres juremeiros que preparam e bebem este "vinho" e/ou dão a beber a iniciados ou a clientes; e a Jurema como sendo uma entidade espiritual, uma "cabocla", ou divindade evocada tanto por indígenas, como pelos herdeiros de cultos afro-brasileiros, o Catimbó e a Umbanda.

Antes dos colonizadores apenas os índios do sertão do Rio Grande do Norte, os Kariris e os Jê (ou Tapuios), tomavam Jurema. (SANGIRARDI JR; 1983) Essas tribos, detentoras dos ritos da Jurema, no entanto, se aliaram aos holandeses e foram completamente destruídas pelas forças portuguesas. A Jurema como identidade étnica foi então construída historicamente em segredo durante o período de colonização, chegando até tribos litorâneas distantes que não tinham tradição com a bebida. O uso da Jurema foi tolerado e aceito pelos portugueses católicos quando era canalizado para lógica de guerra contra invasores franceses e holandeses, enquanto seu uso religioso era condenado como feitiçaria. Há vários registros históricos (século XVI e XVII) sobre a eficácia militar dos guerreiros-juremeiros. Esta dupla permissão/condenação favoreceu uma expansão secreta e silenciosa da Jurema, levando o uso da bebida a ser conhecida até o Maranhão. (ANDRADE, 1992:9)

Numa primeira fase da colonização, a resistência dos povos indígenas no Nordeste, não permitiu que a Jurema, enquanto árvore sagrada, fosse conhecida, em seus usos e significados, não sendo assim documentada pelos colonizadores e estrangeiros. Numa segunda fase histórica a Jurema representa um elemento ritual ligado à própria resistência armada dos povos indígenas ou à guerra empreendida contra inimigos inclusive em suas alianças. Ainda nesta fase na qual a Jurema começa a ser documentada, seu significado ainda não é entendido mas seu uso já é motivo de repressão, prisão e morte de índios, (...). Na medida em que avança o rolo compressor da colonização, processo de genocídio ou tentativa de dominação, não só política e econômica como também cultural, aparece uma nova forma de resistência: a Jurema assume um lugar central na religiosidade popular, não só indígena regional - Catimbó. Diante do componente negro a Jurema garante seu reconhecimento, como entidade (espírito, divindade, cabocla) autóctone, "dona da terra". A Jurema é absorvida pelos cultos afro-brasileiros, tendo surgido inclusive os "Candomblés de Caboclos". Nas últimas décadas é no contexto da Umbanda, religião nascente e em pleno processo de sistematização e de expansão nacional, que a Jurema é integrada na cosmologia sagrada, no panteão da religião nacional. Constatamos em vários estados nordestinos as "Linhas da Jurema", dentre as linhagens e filiações religiosas da Umbanda. Nesses últimos anos, e paralelo ao movimento religioso propriamente brasileiro, a Jurema continua como "núcleo duro", segredo, bandeira ou símbolo, para os remanescentes indígenas, em pleno "movimento étnico", num contexto de defesa de seus direitos humanos, de suas áreas de reservas e de sua autonomia e reconhecimento no pluralismo da sociedade e das culturas brasileiras. (ANDRADE, 1992:2)

E foi assim, neste contexto contraditório, que a Jurema se firmou como prática étnica indígena e se misturou com os cultos africanos. E não se trata, nesses cultos, de reduzir a planta a um ‘espírito’ de uma cabocla como conhecemos na umbanda: o candomblé africano reconhece a Jurema como orixá, o único genuinamente brasileiro.[5] A Jurema chegou ao império como uma forma religiosa de resistência cultural bastante complexa, mantendo viva seu caráter guerreiro e marginal e conheceu ainda um novo ciclo de religiosidade popular - o dos mestres da jurema no catimbó nordestino, que, até a primeira metade do século XX utilizavam a bebida para desfazer feitiços e encantamentos no CE, PB e RN (CASCUDO, 1978).

Porém, apesar de se constituir como um complexo rico em variações, a maioria dos estudos antropológicos sobre a Jurema descreve apenas o Toré, festa dos índios nordestinos em que a bebida é ritualmente consumida. O relato mais antigo data de 1946, quando Oswaldo Gonçalves de Lima descreve o contínuo uso xamânico do vinho da jurema entre os índios Pankararu do Brejo dos Padres, no sul de Pernambuco.

Por volta de 1980, alguns pesquisadores advogam na extinção dos cultos da Jurema (SCHULTES & HOFMANN, citados por OTT, 2002:673). No entanto, sabe-se que algumas formas cerimoniais associadas ao Toré têm sobrevivido entre os Xucuru da Serra de Ararobá/PE; os Kariri-xocó de Colégio, na divisa entre AL e SE (MOTA, 1987); os Atickum-Umã/PE (GRÜNEWALD, 1995); os Truká (BATISTA, 1995) e numerosos outros grupos espalhados pelo sertão nordestino (PINTO, 1995). Além disso, durante a segunda metade do século XX, a cerimônia indígena do Toré tem sido adotada simbolicamente por grupos umbandistas ao longo do litoral nordestino.

Em A Jurema em “Regime de Índio”: o caso Atikum (GRÜNEWALD, 1995) observa-se o contraste de alguns aspectos simbólicos desta reconstituição do uso cerimonial da Jurema em um contexto religioso contemporâneo e entre seu contexto tradicional. O texto trata de como, entre 1943 e 1945, os caboclos da Serra do Uma, descendentes de tribos indígenas desconhecidas, sabendo de que o governo brasileiro tinha como critério para concessão de terras para reservas indígenas a realização do Toré, procuraram a tribo dos Tuxá para aprender o ritual e conseguir o benefício. O que realmente acontece em 1949, quando os caboclos de Umã são elevados a categoria de índios Atikums (nome de um suposto ancestral mítico da tribo). Assim, o Toré e o uso ritual da Jurema são tradições a serem exibidas como certificados étnicos, devidamente reconhecidas pelo SPI (Serviço de Proteção ao Índio) e depois dele, a FUNAI. Grünewald observa, no entanto, que não se trata de um mero ardil para garantir a posse coletiva da terra, mas que os caboclos de Umã realmente passaram a acreditar em sua nova identidade Atikum. A Jurema deu a esses homens mais do que um pedaço de terra: uma identidade étnica une um grupo separando-o de outros, dando a ele um lugar no tempo e no espaço social.

Outro episódio, narrado de passagem neste texto, cita o trabalho desenvolvido por uma fundação holandesa, Friends of the Forest – Ethnopharmacological agents & rituals and drug dependency treatment research. A fundação, em conjunto com universidades e autoridades públicas holandesas, aplicava tratamento gratuito para reabilitação de viciados em drogas (heroína, cocaína, álcool, etc) utilizando-se principalmente da Ayahuasca. No entanto, devido ao corte de fornecimento pela entidade que gerencia o Santo Daime, que considerou o uso terapêutico da bebida fora dos seus preceitos religiosos, “os amigos da floresta” passaram então a pesquisar e utilizar os mesmos princípios psicoativos extraídos de outras plantas similares. Nesta “ayahuasca analógica”, a Jurema Preta (Mimosa Hostilis) passa a ser utilizada em combinação com sementes de Perganum Harmala, um arbusto do oriente médio muito conhecido por suas características sedativas[6].

Mas não é só: os próprios pesquisadores da fundação Friends of the Forest descrevem seu contato com os índios Atikum e como introduziram o uso desta nova fórmula em alguns de seus rituais (BARBOSA, 1998:27-28). Segundo eles, os Atikum não apenas reconheceram a potencialização dos efeitos da Jurema pelo Perganum Harmala, como também ficaram com sementes do arbusto para plantar no sertão. O texto insinua que houve uma assimilação cultural de técnicas de preparo científicas, importadas do exterior, pela “cultura Atikum” e que tal fato poderá ressuscitar a tradição da Jurema.

Não sabemos se realmente os Atikum levarão adiante os ensinamentos dos pesquisadores holandeses. Também não é possível saber, pelo menos através da pesquisa antropológica, se realmente existe uma tradição secreta da Jurema, que detenha o conhecimento do ingrediente inibidor. O certo é que hoje é mais fácil encontrar trabalhos espirituais com a utilização da Jurema na Europa que nas caatingas do nordeste brasileiro. Vivemos um processo de reconstrução mítica globalizada, em que uma planta genuinamente brasileira, símbolo de parte de nossa consciência étnica, está sendo reinventada em um contexto global contemporâneo e até mesmo re-importada de volta para as classes médias culturalmente mais sofisticadas da sociedade brasileira.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA III - O DMT

N,N-DMT ou N,N-dimethyltryptamine (C12H16N2) é um psicoactivo da família tryptamine, causa intenso visuais e forte estado mental psicodélico quando fumado, injetado, bufado, ou (quando levado com um MAOI tais como harmaline) quando engolido oralmente. N,N-DMT é muito chamou freqüentemente só "DMT", embora este nome cause confusão algumas vezes com seu primo químico 5-MeO-DMT. Ele está presente em milhares de espécie de plantas e foi usado tradicionalmente em América do sul ambas em Ayahuasca e rapés.

DMT é um neurotransmissor químico presente naturalmente no corpo humano bem como em plantas muitas. Ele não causa dependência física ou psicológica. Mas há contra-indicações: os efeitos de fumado N,N-DMT são dramaticamente aumentado se usados por indivíduos usando MAOIs. MAOIs são enzimas comumente encontradas nos anti-depressivos Nardil (phenelzine), Parnate (tranylcypromine), Marplan (isocarboxazid), Eldepryl (l-deprenyl), e Aurorex ou Manerix (moclobemide). Indivíduos com casos de esquizofrenia em sua história familiar, com tendências à psicose depressiva ou ainda em estado emocional fragilizado devem ter cuidado com psicolédicos pois eles podem ser um ‘gatilho’ para a manifestação desses desequilíbrios.

NOME: N,N-Dimethyltryptamine

NOME QUÍMICO: N,N-Dimethyl-1H-indole-3-ethanamine

OUTROS NOMES: 3-[2-(dimethylamino)ethyl]indole, DMT

FÓRMULA QUÍMICA: C12H16N2

PESO MOLECULAR: 188.27

PONTO DE FUSÃO: 44.6-46.8°C (116°F) (crystals)

PONTO DE EBULIÇÃO: 60-80°C (crystals)

Fumar DMT é muito diferente que usar ayahuasca. Usar Jurema ou DMT sintética e um IMAO farmacêutico também não são o mesmo. Há significativas diferenças tanto químicas como na experiência subjetiva. Os inibidores também apresentam diferenças relevantes. A maior diferença entre P. harmala e B. caapi reside nos níveis de harmalina e tetrahidroharmina. Na P. harmala os níveis de harmalina são mais altos (o que explica sua maior efetividade IMAO) e os níveis de tetrahidroharmina são muito menores ou estão ausentes.

O uso de DMT em rapés dos índios da América do Norte e Central é documentado desde o início do Século VIII DC, mas suspeita-se que seu uso seja muito mais antigo. Os rapés Cohoba (da árvore Yopo) foram documentados em Columbia nos Séculos XVI até XIX. Em 1931, o primeiro DMT químico foi sintetizado por Richard Manske e chamado de "nigerine". É ilegal possuir ou vender DMT nos Estados Unidos e na maioria dos países desde 1971.

Porém, o DMT ganhou notoriedade significante nos últimos 15 anos com Terence Mckenna. McKenna, foi o pioneiro no estudo sistemático das tradições de consumo de substâncias químicas. Autor de vários livros sobre diferentes substâncias psicoativas e religiosidade contemporânea (1993, 1995 e 1996) – estabelece uma associação estratégica entre duas hipóteses de outros autores, que se tornarão os cânones do movimento entheogênico[7]:

1. A hipótese de que foi através da ingestão de substâncias químicas psicoativas (principalmente o DMT) que os macacos se tornaram conscientes de si, dando início à evolução da espécie humana. Nesta hipótese, sugere-se que toda nossa experiência com o sagrado derivou originalmente do consumo de substâncias químicas.

2. A hipótese de Gaia (James Lovelock e Lynn Margulis) segundo a qual a biosfera da Terra é na verdade um organismo vivo. De forma que, mais do que dispositivos de poder para o controle social (as drogas), as substâncias psicoativas teriam como função primordial à re-ligação dos homens com a consciência telúrica do planeta.

Na mesma linha de raciocínio, Jeremy Narby, em seu livro A Serpente Cósmica, compara a dupla hélice do DNA às duas serpentes do símbolo do Caduceu e advoga a tese de que o DMT é a chave para o processo de evolução humana (o “programa lógico do mundo vegetal para rodar no cérebro humano”) do ponto de vista da biologia molecular.

Tais abordagens vêem suscitando grandes debates no campo da neurociência e psicologia cognitiva. Debates esses, que queremos, neste projeto, revisar e aprofundar. Como já adiantamos no início, de todas as contribuições recentes sobre o tema, consideramos o mais relevante o de Benny Shanon, sobre a Ayahuasca como instrumento de investigação da mente (in LABATE, 2002; pág. 631), através dos parâmetros teóricos da psicologia cognitiva. Para ele, há questões fenomenológicas de primeira ordem (o que está sendo experimentado?) e de segundo ordem (Há uma ordem e um sentido no que está sendo experimentado?). Há também questões de dinâmica, de contexto e teóricas gerais a serem discutidas sobre o uso do Ayahuasca. Por exemplo, em relação às questões fenomenológicas de primeira ordem, Shanon distingue as questões de conteúdo das de domínio e de estrutura. Assim, felinos, pássaros e répteis são as imagens mais recorrentes nos transes, seguidos de perto pelos palácios, tronos e imagens arquitetônicas celestiais.

A pesquisa destaca que as imagens são ‘universais da mente’ (semelhantes ao que Jung chamou de arquétipos[8]) pois surgem em indivíduos social e culturalmente diferentes. Esses conteúdos podem surgir de diferentes formas ou domínios e o encadeamento dessas formas com estes conteúdos forma estruturas narrativas paralelas aos rituais. E Shanon entrevê, através deste sistema cognitivo de conteúdos/domínios, os parâmetros estruturais da consciência e destaca pelo menos quatro aspectos relevantes em relação ao efeito do Ayahuasca: a percepção do pensamento como uma cognição coletiva, a indistinção entre o interior e o exterior, e as experiências desindentificação pessoal e de tempo não-linear.

Ou seja: quando tomam Ayahuasca as pessoas percebem que seus pensamentos não são individuais mas sim ‘recebidos em rede’ (a mente como um rádio); que não existe a distinção entre o sensorial e o sensível; podem se transformar em animais (jaguares e águias são freqüentes) ou em outras pessoas; e finalmente percebem o transcorrer do tempo de forma desigual, em que alguns segundos demoram séculos e horas se sucedem rapidamente e em que alguns momentos se experimentam a simultaneidade (ou a eternidade) temporal.

Quando baixamos arquivos no computador, pode-se perceber que alguns segundos demoram mais que outros, em função do peso do arquivo e da aceleração da conexão da internet. O que Shanon suspeita é que o mesmo acontece com o cérebro sob o efeito do Ayahuasca.

HIPÓTESE

Acredito que no aprofundamento neurocientífico das teses de Shanon. Nossa principal hipótese de pesquisa é que o DMT poderá, dentro de um setting clínico não-religioso, funcionar com uma substancia vital ao desenvolvimento psicológico humano no século que se inicia.

Acredito também que os países e regiões detentores das plantas ricas nesta substancia (como o nordeste em relação à Jurema e a Amazônia em relação à Ayahuasca) não podem ser privadas dos benefícios sociais e culturais decorrentes desta realidade.

Assim sendo submeto este primeiro esboço de projeto de pesquisa à avaliação crítica dos interessados, na esperança de que, com novas contribuições, ele se consolide e vingue em seus objetivos estratégicos.

Natal, 29 de outubro de 2003.

Marcelo Bolshaw Gomes

Bibliografia

ANDRADE, J. M – Jurema: da festa à guerra, de ontem e de hoje. João Pessoa, UFPB, 1992.

BARBOSA, W. M. da S. A Jurema Ritual in Northern Brazil. From the Newsletter of the Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies (MAPS) - Volume 8 Number 3 Autumn 1998 - pp. 27-29 <http://www.maps.org/news-letters/v08n3/08327yat.html>

CASCUDO, L. da C. Meleagro; pesquisa do catimbó e notas da magia branca no Brasil. Natal: Agir/Fundação José Augusto, 1978.

GRÜNEWALD, R. A. A Jurema e o "Regime de Índio" Atikum. Trabalho apresentado no 1o ERSUPP. Salvador, 1995. <http://users.lycaeum.org/~room208/jurema/Rodrigo/index.htm>

LABATE, B.C. & ARAÚJO, W. S. (org.s); O Uso Ritual da Ayahuasca. Tradução de Claudia Rosa Riolfi e Valdir Heitor Barzotto. São Paulo: Fapesp/Mercado de Letras, 2002.

MCKENNA, T. - Alucinações Reais' Rio de Janeiro: Record/Nova Era, 1993.

Alimento dos Deuses Rio de Janeiro: Record/Nova Era, 1995.

Retorno à cultura arcaica Rio de Janeiro: Record/Nova Era, 1996.

(com Ralph Abraham e Rupert Sheldrake) 'Caos, Criatividade e o retorno do Sagrado - triálogos nas fronteiras do Ocidente' São Paulo: Cultrix/Pensamento, 1994.

MOTA, C. N. Jurema and Ayauasca: Dreams to Live by. In: Ethnobiology: Implications and Aplications. Vol. 2. Belém, Museu Goeldi, 1990.

MOTA, C. N. & BARROS, J. F. P. de. Jurema: Black-Indigenous Drama and Representations. In: Ethnobiology: Implications and Aplications. Vol. 2. Belém, Museu Goeldi, 1990.

OTT, J. Pharmahuasca, anahuasca e jurema preta: farmacologia humana de DMT oral mais harmine, in MAPS: <http://www.maps.org/news-letters/v06n3/06332ott.html>

SANGIRARDI Jr. Jurema. In: Os Índios e as Plantas Alucinógenas. Rio de Janeiro, Editorial Alhambra. 1983.

--------------------------------------------------------------------------------

[1] Jornalista, professor de comunicação da UFRN, doutorando em ciências sociais, currículo Lattes: http://genos.cnpq.br:12010/dwlattes/owa/prc_imp_cv_int?f_cod=K4792219T9

[2] V. http://dmt.lycaeum.org/ e http://www.erowid.org/chemicals/dmt/dmt.shtml

[3] V. principalmente www.santodaime.org; www.ayahuasca.com e http://yage.net/

[4] Mimosa tenuiflora (Will.) Poiret (=M. hostilis Benth.) e outras espécies de Mimosáceas no Nordeste brasileiro, principalmente a Hostilis, chamada Jurema Preta.

[5] A Jurema como nação: http://www.geocities.com/Athens/Atlantis/5418/

[6] Também conhecido como Syrius Rue, essa planta é conhecida desde tempos pré-históricos do Mediterrâneo até Ásia central. Está associada à tradição dos tapetes voadores árabes e das bebidas sagradas da Antiguidade (o Soma do Rg Veda e do Haoma do Avesta da Pérsia).

[7] Entheogênesis significa 'origem divina' (Theo = Deus, Gênesis = Origem). A palavra 'entheógenos', no entanto, surgiu em contraposição a denominação de 'alucinógenos' para designar a utilização de substâncias químicas com finalidades místicas, religiosas ou cognitivas. Segundo seus defensores a denominação de 'alucinógeno' para as substâncias químicas de efeito psíquico é preconceituosa, pois embute o sentido de entorpecimento. A enteogênesis seria, então, o uso não alienante das drogas.

[8] Para Jung os arquétipos eram elementos estruturais do inconsciente coletivo e para psicologia cognitiva, os universais da mente são determinantes da vida psíoquica.